Eu quero, mas não consigo

Você já disse para si mesmo algumas destas frases?

  1. Este ano eu vou ler mais.
  2. Eu quero cuidar mais da minha saúde.
  3. Quero começar a meditar.
  4. Este ano vou aprender uma 2ª língua.
  5. Vou aprender xadrez.
  6. Quero me conectar mais com a natureza.

Mas aí chegou a segunda-feira, a rotina, as responsabilidades. E aquele frase ficou para amanhã, que ficou para semana que vem, que ficou para o mês que vem. Ou até, o pior de todos: “ah, quando eu terminar coisa x eu terei mais tempo, aí eu me comprometo com isso.”

Eu já repeti tanto o ciclo aqui de cima ☝️, que é até estranho escrever sobre isso. Inclusive, procrastinação é um tema que trato na terapia há bastante tempo (mas isso fica para outro post, foco aqui!).

O que eu descobri ao longo da minha jornada é que.. na grande maioria das vezes não vai existir aquele momento que você “tem mais tempo”. Ou seja, ou vai ser importante suficiente para se encaixar na minha vida/rotina ou vou ter que aceitar a verdade inconveniente de que.. não é realmente importante no momento.

Diagrama mostrando que existe um conjunto enorme das coisas que eu acho que eu quero. E um subconjunto substancialmente menor das coisas que eu realmente quero e fazem sentido na minha vida.
Importante reflexão: o conjunto das coisas que eu realmente quero e considero importante é muito menor.

Este exercício de autoconhecimento para entender o porquê eu quero algo é fundamental para poder negociar comigo mesmo, a importância disso frente as outras coisas.

Tá, até aqui.. é estranhamente simples: “preciso ter uma lista das coisas / objetivos que eu realmente quero perseguir e ter a clareza do porquê eu quero cada coisa.”
⚠️ o conceito é simples, executar é difícil. Mas o segredo é prática.

Ok, lista feita. Racionais de cada objetivo aparentemente claros ou com aquela sensação “não tá perfeito, mas é o melhor que eu consegui agora”. Ainda sim as vezes eu batia na trave e sentia que apesar de querer.. eu não conseguia.

Usando o exemplo de “este ano eu quero ler mais”. Como eu vou saber se eu conquistei o objetivo? O que eu mais recomendo é definir uma meta.

Por exemplo, quero ler 1 livro este ano ou 6 ou 12 ou 24 ou 48. Depende muito da definição do que vai ser sucesso para você.

Objetivo definido: ✅
Meta definida:✅

Agora é hora de quebrar a “grande meta” em pequenos passos. Afinal, você não lê 20 livros no ano se você não ler a 1ª linha do 1º livro. E geralmente, ler a 1ª linha do 1º livro você consegue fazer HOJE e não precisa deixar para “quando tiver tempo”.

💡 Acredito que muita gente conhece o livro “Poder do Hábito“, mas acho que para me ajudar a perseguir objetivos grandes, um dos livros que mais me ajudou foi o Hábitos Atômicos. James Clear (autor do livro) me ajudou a enxergar os micro passos que existem dentro dos hábitos e poderoso efeito cascata que existe em mapear e persegui-los.

Vou repetir aqui uma imagem que eu já usei em outro post no passado para fazer uma analogia:

Imagine que “UM ANO” seja seu objetivo grande. Olha a quantidade de Xzinhos que você precisa fazer para atingir este objetivo. É assustador, só de olhar da vontade de desistir, procrastinar ou sentir que não tem tempo.

Por outro lado, se o Xzinho do “UM DIA” for ler um paragrafo do primeiro livro, dá para fazer agora. Não parece assustador, é factível.

Objetivo definido: ✅
Meta definida:✅
Micro passos mapeados:✅

E por último, talvez um dos mais importantes passos para mim. E é algo que eu aprendi assistindo um TED bem antigo sobre educação.

Sir Ken Robinson: TED Talk “Como escapar do vale da morte da educação.”

Este TED é absolutamente fantástico (eu recomendo muito). E emprestando um pedacinho do que o Ken Robinson diz:

O papel verdadeiro da liderança é controlar o clima, criando um clima de possibilidade.

Acredito muito que a chave para atingir um objetivo, que eu realmente quero, é criar as condições mais ‘ideais’ para que eu possa atingir o objetivo. E voltando para o exemplo de ler mais:

Se ao sentar no sofa de casa, eu tô exposto ao controle remoto da tv, ao celular e a várias outras distrações.. qual a chance de eu usar esse tempo para ler? Baixa. A não ser que você já tenha uma enorme força de vontade para contrariar o “instinto de fazer o mais fácil”.

Então criar a condição ideal para que os micro passos da leitura sejam perseguidos é deixar os livros que eu quero ler sempre a mostra e de fácil acesso: seja na mesa de cabeceira, seja no banheiro, no sofa, no banco do carro ou na mala do trabalho.

Assim, fica mais difícil do seu cérebro ativar o piloto automático e deixar você a deriva vendo tv ou cansando o polegar de tanto insta, tiktok, fb ou qualquer outra coisa que você não esteja fazendo intencionalmente.

Objetivo definido: ✅
Meta definida:✅
Micro passos mapeados:✅
Hackear seu ambiente:✅

E apesar de eu ter construído o exemplo em cima da leitura, você pode repetir isso para praticamente qualquer objetivo.

Se você tiver que cozinhar saudável todo dia, qual a chance do “piloto automático” fazer você querer pedir um ifood, fazer um miojo ou qualquer outra coisa que conscientemente você não gostaria?


Tem alguns outros posts para você conferir:

Publicado por Leo Dabague

Maker, economista, curioso, aprendiz e incomodado. Hoje sou diretor em uma Startup de tecnologia para varejo. Ajudei a construir / sustentar a escalada de 40 para mais de 850+ pessoas em menos de 5 anos.

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