Lidando com a dor

Dia 20 de junho de 2025 foi um dos piores dias da minha vida.

Infelizmente, na madrugada da sexta-feira deste dia, Nashville, meu golden retriever de 3 anos e 11 meses acabou falecendo.

É ainda muito dificil ler estas palavras e praticamente impossível aceitar o que elas significam.

Apesar do quadro de saúde bem peculiar do Nash, que tinha uma trombose no tubo medular, minha esposa e eu sempre colocamos o foco em fazer todo e qualquer tratamento que pudesse aliviar as dores e diminuir as várias limitações que a condição dele impunha.

Mesmo diante de todas as particularidades, parece que nunca tinha imaginado que ele fosse partir de maneira repentina.


O rascunho deste post ficou várias semanas guardado por aqui.

Os primeiros dias foram.. sufocantes. Era uma dor latejante, um silêncio que ardia. Era como se eu estivesse atordoado, anestesiado.

A dor era tão evidente, que.. não chorar era um esforço. E como a sabedoria popular já diz: “não tem o que fazer, é dar tempo ao tempo”

E assim tem sido.

Já se passaram várias semanas desde que acordar de manhã cedo mudou. Parece que só agora, estou começando a não “esperar” que ele vai estar deitado no final das escadas me esperando de manhã.

Ainda sim, o luto tem sido para mim, como a máre. Tem dias que a tristeza tá em maré alta, tem dias que é a saudade, tem dias que a rotina não me faz sentir a maré.

Post dos Xamanicos mostrando que ao contrário do que as pessoas dizem, que o luto diminui.

Ele na verdade diminui relativamente, pois a vida cresce dentro de nós.

O que minha mãe me disse na semana que ele partiu ainda ecoa dentro de mim: “Segue filho, segue em frente. É o único caminho, mesmo sem vontade as vezes, vai pra frente que.. de alguma maneira, vai melhorar.”

O Nash não foi um cachorro pra mim. Ele foi parte do significado de lar.

Ir para casa, voltar para casa, estar em casa, deixar a porta aberta.. isso tudo estava muito conectado a ele.

E de vez em quando aparece a questão:

Por vários dias depois que o Nash se foi, tomado pela dor eu pensei: “Nunca mais na minha vida.. eu quero ter cachorro. Para sentir essa dor? Nunca mais!”

E aí o tempo vai passando, a gente vai fazendo terapia.. as emoções vão se acomodando e aí vem as reflexões:

  • Senti dor? Pô.. muita.
  • Sinto muita saudade? Sim, todo dia.

Mas.. vendo as fotos e lembrando do que vivemos juntos.. O Nash mudou a minha vida. Mudou a vida da minha esposa, da minha filha, da creche que ele ia, das pessoas que davam banho nele, dos meus sogros, pais, sobrinhas.. e talvez de tantas pessoas que nem sei.

Então, tem uma música que.. simboliza muito.. o que eu sinto em relação ao meu Nash:

Nos encontraremos outra vez
Com certeza nada apagará
Esse brilho de vocês (Vocês, vocês)
O carinho dedicado a nós
Derramamos pela nossa voz
Cantando a alegria de não estarmos sós

Mais um pouco vai clarear
Ê, vai clarear!

Publicado por Leo Dabague

Maker, economista, curioso, aprendiz e incomodado. Hoje sou diretor em uma Startup de tecnologia para varejo. Ajudei a construir / sustentar a escalada de 40 para mais de 850+ pessoas em menos de 5 anos.

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